É difícil enxergar o progresso em um idioma enquanto ele acontece. Você estuda quase toda semana, as palavras da primavera passada parecem ter estado com você desde sempre, e a distância entre onde você estava e onde está se fecha sem fazer barulho. Uma carta pode deixar esse progresso à vista. Escreva uma agora, no idioma que você está aprendendo, e leia daqui a um ano como se tivesse sido escrita por um desconhecido.
O segredo é tratar a carta como uma medição, e não como uma página de diário. Você responde a cinco perguntas fixas em condições fixas e, mais tarde, responde às mesmas cinco da mesma maneira. Lado a lado, as duas cartas mostram o que você consegue fazer agora e não conseguia na época.
O método em quatro passos
- Escreva a primeira carta hoje, no idioma que você está aprendendo, respondendo a cinco perguntas fixas.
- Escolha uma data de envio entre três meses e um ano à frente.
- Quando a carta chegar à sua caixa de entrada, leia-a e escreva uma nova com as mesmas perguntas.
- Coloque as duas lado a lado e conte o que mudou.
Ninguém dá nota a nenhuma das cartas. Aqui você não está praticando gramática. Está construindo um ponto de comparação.
Cinco perguntas que nunca mudam
As perguntas importam mais que as respostas, e cada uma testa uma coisa diferente. Use estas cinco ou escolha as suas, mas, depois de escolher, não mexa mais nelas.
- Quem é você e como é um dia comum?
- O que você fez no fim de semana passado?
- O que você pretende fazer no mês que vem?
- Descreva uma pessoa que você conhece bem.
- Que três perguntas você faria para o seu eu de daqui a um ano?
A primeira pergunta reúne substantivos do dia a dia e o presente. A segunda pede o passado, a terceira o futuro e a quarta os adjetivos e o jeito de falar sobre as pessoas. A última exige formas de pergunta, que muita gente evita por meses.
Copie as perguntas palavra por palavra no topo da carta. Escreva-as no idioma que você está aprendendo, se conseguir, e no seu próprio idioma, se ainda não conseguir. No ano que vem, use exatamente as mesmas palavras. Se a redação mudar, a comparação vira um palpite.
Escreva no seu nível real
Esta é a parte difícil. A tentação é procurar cada palavra, lapidar cada frase e escrever a melhor carta possível. Resista. Uma carta lapidada mostra o quanto você se sai bem com o dicionário aberto, e o dicionário ainda estará lá no ano que vem. O que você quer registrar é o que consegue fazer em um dia comum.
Defina as regras antes de começar e escreva-as embaixo das perguntas, para poder repeti-las depois:
- Vinte minutos, de uma só vez.
- Sem ferramenta de tradução e sem dicionário.
- Quando faltar uma palavra, escreva [?] e coloque ao lado a palavra no seu idioma.
- Sem correções depois, nem suas nem de um professor.
As marcas [?] são a coisa mais útil da carta. Cada uma é um registro exato de algo que você queria dizer e não conseguiu. No ano que vem você vai contá-las e ver quais dessas mesmas lacunas se fecharam.
Uma carta agendada não pode ser editada, o que combina com este exercício. A versão que você envia é a versão que volta para você, erros incluídos.
Escolha a data
Escolha uma data distante o bastante para que a mudança seja real. Três meses servem para um curso intensivo. Seis meses combinam com uma rotina semanal constante. Um ano é a escolha mais acertada por padrão, porque até as fases lentas se somam numa diferença visível. O calendário aceita qualquer data a partir de amanhã e até 20 anos à frente, e como escolher a data de envio analisa os prós e os contras.
Enviaremos a carta para o seu e-mail nesse dia, entre 8h e meio-dia no seu fuso horário. Use um endereço que você espera continuar tendo. Se você pretende encadear as cartas, escrevendo a segunda no dia em que a primeira chegar e agendando-a para mais um ano ou meio ano, lembre-se de que o link para cancelar a inscrição em qualquer um dos nossos e-mails, inclusive o botão de um toque que alguns aplicativos de e-mail mostram, interrompe todas as cartas desse endereço que ainda aguardam a data de envio.
Leia e responda de novo
Leia a carta antiga antes de fazer qualquer outra coisa. Prepare-se para fazer uma careta. Depois escreva a segunda carta com as mesmas regras: as mesmas perguntas, os mesmos vinte minutos, nada de dicionário e nada de espiar as respostas antigas enquanto escreve. Só quando a segunda carta estiver pronta você coloca as duas lado a lado.
Se você estuda com um professor ou com alguém que estuda junto, peça que essa pessoa também mantenha as perguntas fixas e não mostre nada a ela até que as duas cartas existam.
O que contar
Não se atribua uma nota. Em vez disso, conte:
- Extensão: quantas palavras você escreveu em vinte minutos.
- Lacunas: quantas marcas [?] e quais delas se fecharam.
- Tempos verbais: quais aparecem agora e faltavam antes.
- Conectivos: palavras como “porque”, “embora” e “para que”.
- Assuntos: sobre o que você consegue escrever agora e não conseguia na época.
- Erros que você agora consegue perceber na carta antiga.
Esse último item é a prova silenciosa. Um ano atrás, esses erros eram invisíveis para você. Se você consegue circular um deles na primeira carta, aprendeu algo, mesmo que a segunda carta tenha erros próprios.
Antes e depois: um par de cartas
Veja como um par de cartas pode ser. As duas foram escritas no segundo idioma de quem aprende e estão traduzidas aqui para o português, para você ver o nível sem ler o original. A primeira foi escrita no primeiro dia.
Olá, eu do futuro, Moro em uma cidade pequena. Trabalho em uma loja, e todo dia é quase igual. Tenho um irmão, ele é alto e engraçado. No fim de semana passado eu [?: caminhei] até o parque com um amigo. Foi bom. No mês que vem quero ir ao mar. Você está melhor agora? Você entende filmes? Você ainda estuda todo dia? [seu nome]
A segunda foi escrita doze meses depois, para as mesmas cinco perguntas.
Olá, eu do passado, Acabei de ler sua carta e ri com “Foi bom.” Hoje sou responsável pelo turno da manhã da loja e leio as notícias no ônibus. No fim de semana passado caminhei na beira do mar com meu irmão, embora tenha chovido, então acabamos num café pequeno conversando uma hora com o dono. Não precisei procurar nenhuma palavra. No mês que vem vou começar um curso noturno, porque quero ler um romance inteiro até a primavera. Qual é o romance? Com quem você conversou primeiro? O curso é difícil? [seu nome]
Veja o que a segunda carta faz e a primeira não consegue. Ela une duas ideias com “embora” e “porque”. Conta uma pequena história com uma reviravolta. O dia dela tem ritmo em vez de rótulo. A palavra entre colchetes sumiu, e as perguntas do final pedem algo específico. Nada disso precisou de uma prova para aparecer. Ficou visível porque as perguntas continuaram as mesmas.
Quando a segunda carta parece pior
Pode acontecer. Alguns meses são mornos, e uma carta escrita depois de uma fase parada pode sair mais curta e mais hesitante do que você esperava. Leia-a como informação, não como veredicto. Confira as lacunas e os erros que agora você enxerga antes de decidir que nada aconteceu.
Se ela de fato mostrar uma estagnação, você aprendeu algo útil sobre a sua prática, e a prática pode mudar. Escreva a carta seguinte para daqui a seis meses e olhe de novo.
Uma habilidade entre quatro
Uma carta mede a escrita em condições fáceis: ninguém esperando sua resposta e tempo para pensar. Ela não diz nada sobre compreensão auditiva nem sobre falar em tempo real. Não substitui um professor, um curso nem uma conversa com uma pessoa, e não tem nota de aprovação. A única função dela é lhe dar um ponto fixo para onde olhar de volta.
Idioma, endereço e privacidade
O idioma da página e o idioma da sua carta são independentes. Você pode usar o site no seu idioma e digitar a carta no que está aprendendo. Enviamos o texto por e-mail exatamente como você o digitou, no idioma em que escreveu. As cartas são armazenadas como texto simples em nosso servidor, então deixe de fora qualquer coisa privada.
Escreva sua carta agora
Abra o formulário, copie as cinco perguntas para o topo de uma carta nova e programe um cronômetro para vinte minutos. Escreva as regras embaixo das perguntas e depois responda como você está hoje, lacunas incluídas. Escolha uma data daqui a um ano e deixe as lacunas para a pessoa que abrir a carta fechar.